Como falar de saúde mental no trabalho?

saúde mental

Segundo pesquisas realizadas pela Mastercard, 62% dos brasileiros passaram a se preocupar mais com sua saúde mental. Enquanto 58% acreditam que cuidar da saúde se tornou essencial em relação ao período anterior à pandemia. Vale lembrar que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ou seja, 9,3% da população – o que é equivalente a mais de 18 milhões de brasileiros – convivem com a ansiedade. Mas, mesmo diante deste cenário, como falar de saúde mental no trabalho?

O ponto mais importante, antes de tudo, é as empresas se prepararem para entender e respeitar as questões relacionadas à saúde mental dos colaboradores. A partir disso, é interessante a oferta de programas de qualidade de vida e métodos através de ferramentas de avaliação psicológica ou psicossocial, que oferecem ao colaborador a oportunidade de autoconhecimento e autodesenvolvimento.

 

Autoconhecimento é a chave

Falar sobre saúde mental no trabalho interfere também no processo de mudança na relação do trabalhador com a organização. Ao adotar uma cultura que contribua para o bem estar do colaborador, o qual transfere para o trabalho também as suas questões vivenciadas fora do ambiente organizacional, tem como benefício a ressignificação do trabalho pois este passa a entender e perceber a real importância da sua atividade dentro da corporação.

A partir do autoconhecimento, o colaborador terá maior acesso aos seus mecanismos psicológicos de enfrentamento, se tornando uma pessoa mais resiliente e com menor tendência ao adoecimento mental.

Importante destacar que as empresas que não possuem a política de atenção à Saúde Mental no trabalho tendem a apresentar maior índice de absenteísmo, por maior taxa de adoecimento mental, causando consequentemente um maior número de colaboradores afastados por CID-F (Transtornos Mentais), como quadro depressivos e de ansiedade. Além disso, observa-se uma menor produtividade e engajamento, podendo também trazer um aumento no índice de turnover.

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Saúde mental impacta o número de acidentes de trabalho

Um outro cenário preocupante é com maior número de acidentes de trabalho. Os colaboradores que se envolvem em um acidente de trabalho, podem já ter sinais de adoecimento mental, como por exemplo a falta de atenção, dificuldade em ter uma boa qualidade do sono, em manter um estado de relaxamento após o horário de trabalho, desencadeando assim vários outros fatores negativos na vida do sujeito, inclusive no âmbito familiar. 

 

O primeiro passo é quebrar o estigma inicial

As empresas geralmente têm como objetivo aumentar o desempenho dos colaboradores, e para isso a saúde mental deverá ser uma estratégia associada na busca deste objetivo. E o primeiro ponto é acabar com o estigma social relacionado à saúde mental. Este estigma ainda acontece devido à falta de informação, pois existe uma quantidade considerável de  pessoas que de fato não entendem o que é depressão, o que é estresse, e por isso, além dos fatores históricos, a saúde mental segue como um tabu.

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Outra maneira de iniciar a política de prevenção é ter uma cultura que possibilita ao colaborador um canal direto de comunicação e acesso à informação por parte de todos. Quando a empresa já possui essa política de uma comunicação aberta, de dar acesso a um diálogo independente  do nível hierárquico se torna mais fácil abordar este tema.

É relevante que o colaborador tenha a iniciativa de trazer ao seu gestor/liderança direta como ele se sente e se percebe enquanto profissional dentro da organização. E claro, por parte do colaborador a busca pelo autoconhecimento e autocuidado é uma excelente maneira de prevenção ao adoecimento mental. 

 

O futuro vem com o avanço

E mesmo que as empresas ainda possuem um grande desafio em relação ao tema saúde mental, se torna relevante destacar que já existe um bom avanço em relação a isso, pois percebe-se um movimento das organizações em olhar para o colaborador considerando a sua saúde mental. Prova disso, é o espaço que o Psicólogo do Trabalho tem encontrado dentro das empresas para atuar de forma preventiva e contínua, além da prática cada vez mais necessária em se realizar avaliação psicossocial não apenas no processo de admissão, mas também em cada periódico, mesmo que ainda seja para seguir uma Norma Regulamentadora (NR’s). Trabalhar a saúde mental e a saúde emocional é a chave para um crescimento saudável nas organizações.

Nayara Teixeira

Gerente Técnica

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