Como o Psicólogo pode atuar em momentos de Crises e Desastres

A humanidade está vivenciando um dos maiores desafios na área da saúde e economia das últimas décadas, gerando impactos em todos os níveis sociais. A pandemia da Covid-19 é considerada uma emergência mundial que requer medidas e ações de prevenção e tratamento com atuação multidisciplinar.

Emergências e desastres podem causar forte impacto emocional, fisiológico, pessoal e financeiro, que geram uma ruptura abrupta e repentina da rotina e dos planos futuros. As populações afetadas se deparam com situações de perda, dor, ansiedade e medo, o que pode incorrer em um intenso sofrimento psíquico, ou paralisação frente à situação. Se não houver um acompanhamento e assistência adequada, estes impactos podem perdurar por anos na saúde emocional e física das pessoas.

 

Atuação do Psicólogo(a)

Diante do contexto atual, como o psicólogo pode atuar em momentos de crise? De acordo com o Conselho Federal de Psicologia a atuação das(os) psicólogas(os) neste momento deve contribuir para que a sociedade coloque em prática as medidas de prevenção preconizadas pelo Ministério da Saúde e pelas demais autoridades (municipais, estaduais, federal), sendo a principal medida, a realização da quarentena. Não sendo possível realizar o isolamento, as(os) profissionais devem atentar para as demais recomendações de prevenção e proteção à Covid-19, não colocando em risco a si nem à população atendida. Como por exemplo lavar as mãos, usar álcool gel e máscara de proteção além de manter o distanciamento social.

Visando contribuir para a conscientização da população sobre a importância das medidas, e da situação como um todo, pode-se trabalhar com a comunidade conceitos sobre o medo e o risco de contaminação, e a partir disso construir intervenções. Os riscos fazem parte do aspecto da percepção qualitativa do ambiente e influenciam as pessoas a se darem conta de suas existências e a serem conscientes de sua vulnerabilidade, o que determinará a noção de cuidado. 

Em participação especial no 2º Conexão Fiocruz Brasília, a psicóloga sanitarista Débora Noal adverte que : “Existe o medo funcional, que nos leva a adotar medidas de autoproteção, e o medo contraproducente, que gera pânico social – como a corrida da população aos supermercados para se super abastecer.” Deve-se estar atento à curva do medo: ele está nos protegendo ou nos paralisando?

Por isso, é importante se atentar às nossas reações para que as medidas sejam proporcionais às exigências do momento.

De acordo com Débora, no contexto da Covid-19, são necessárias intervenções em atenção psicossocial e saúde mental, e as estratégias adotadas precisam levar em conta a cultura de cada território e as políticas públicas locais, de forma que as estratégias de intervenção sejam compatíveis com a realidade e condições da população afetada.

Importante salientar que cada ser humano é único e constitui-se como um sistema complexo de crenças, pensamentos, ações, experiências e emoções que vão culminar em diferentes vivências e reações a situação atual. Assim, toda atuação e intervenção psicológica deve contemplar a individualidade do sujeito, buscando compreender o que o momento representa para cada um. Assim é possível ajudar o sujeito na construção de novas possibilidades, na reconstrução de significados e elaboração dos sentimentos, perdas, conquistas, lutos, e oportunidades.

Mas a atuação do psicólogo não limita-se apenas ao contexto clínico, a Psicologia também faz-se necessária para reconstrução do social, no auxílio à definição das medidas de saúde mental e equilíbrio emocional da população durante e após esse período de crise. A Psicologia contribui para a elaboração de conteúdos de promoção da saúde e bem-estar biopsicossocial nas plataformas e canais de comunicação como jornais, revistas, sites, vídeos, blogs, TV e rádio. A atuação também se estende à garantia da cidadania e direitos às populações mais vulneráveis, planejamento das estratégias de políticas públicas de saúde e de enfrentamento da pandemia.

Conheça também as medidas de cuidado em saúde mental elaboradas pela Organização Mundial da Saúde no link: Guia Saúde mental na Pandemia.

 

Referências:

TRINDADE, Melina C. SERPA, Monise G. O papel do psicólogo em situações de emergências e desastres. Estudos e Pesquisas em Psicologia Rio de Janeiro v. 13 n. 1 p. 279-297 2013

Fabiana Alves

Psicóloga e Analista Técnica na MAPA

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