Turnover: o que é e por que se preocupar?

Turnover

A rotatividade de colaboradores nas organizações tem sido alvo de investigações e discussões tanto por parte da Gestão de Pessoas nas empresas, como no meio acadêmico. Também conhecido como turnover, o índice ideal do indicador de rotatividade de pessoal deve ser pensado considerando um coeficiente que permita uma certa oxigenação da organização de modo a não levar à estagnação e que também possibilite reter talentos e desenvolver os colaboradores de forma a agregar valor competitivo perante o mercado. No livro Gestão do Turnover, publicado em 2005, Andréia Cardoso afirma que o índice de rotatividade não deve ultrapassar os 10% ao ano.

Estudos elencam, entre as principais causas do turnover alto, as práticas de gestão de pessoas desarticuladas e pouco aderentes à realidade organizacional, estilo de liderança, relacionamento humano, cultura organizacional e condições de trabalho. Tais aspectos consistem em condições internas da realidade das organizações e também se associam a questões externas, tais como situação econômica e mercado de trabalho. Em uma pesquisa publicada em 2020 sobre o turnover no setor supermercadista, verificou-se que a maioria das demissões ocorreram de modo voluntário e devido a fatores internos aos estabelecimentos investigados. Este dado corrobora com outros achados que refletem a importância de que as organizações foquem em uma gestão de pessoas estratégica, que favoreça o desenvolvimento e retenção de profissionais valiosos.

Para além do impacto na competitividade, uma pesquisa realizada em 2016 elenca custos financeiros importantes relacionados à rotatividade de pessoal. Custos relacionados à demissão, contratação e treinamento dos novos funcionários representam 23% dos custos totais relacionados ao turnover, seguidos pelo resultado de 21% associados à queda de produtividade ocasionada no processo. Com índices menos representativos, mas que somam um impacto considerável, seguem-se resultados relacionados à falta de comprometimento dos empregados que continuam na organização; redução da lucratividade; perda de qualidade dos serviços; redução da credibilidade perante o mercado; entre outros fatores.

 

Como a pandemia afeta o turnover de uma empresa?

Apesar da alta taxa de desemprego ocasionada pela pandemia COVID-19 desde o primeiro semestre de 2020, a preocupação com o equilíbrio do turnover permanece atual para que as organizações se mantenham economicamente saudáveis e competitivas. Em fevereiro de 2021, uma matéria da Revista Exame apontou que a flexibilidade para conciliar a vida pessoal e o trabalho ganhou ênfase entre os aspectos considerados pelos brasileiros na busca por um novo emprego desde o início da pandemia. A matéria apresenta os resultados de uma pesquisa do IBM Institute for Business Value (IBV), na qual se constatou que 1 em cada 10 brasileiros entrevistados pediu demissão em 2020 e 31% afirmaram que a troca de emprego estava sendo programada para 2021. Entre os que já haviam deixado o emprego em 2020, 29% buscavam mais flexibilidade. Além disso, outro atributo considerado pelos brasileiros na mudança de emprego, é a oportunidade de desenvolvimento profissional e carreira.

 

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Aposte em ações para diminuir o turnover

Muitas organizações têm investido em estratégias que sejam aderentes às novas exigências do mercado em transformação. Entre elas, algumas startups têm investido em desenvolver um maior engajamento de seus colaboradores, como noticiado pelo jornal Estadão. As ações envolvem desde melhorias nos pacotes de benefícios até a adoção do modelo partnership, como no caso da XP Inc., por meio do qual através de um plano estruturado, alguns colaboradores podem se tornar sócios da empresa. Na matéria, destaca-se a importância de um olhar para a cultura organizacional e qualidade de vida se associem a estes incentivos financeiros.

Em live da série RH 4.0, do Valor Econômico, a Diretora de Pessoas e Cultura do Banco BV, Ana Paula Tarcia, fala das iniciativas da organização que aposta na felicidade corporativa e ações de bem-estar como estratégias para manter o equilíbrio do turnover e aumentar a produtividade. Ana Paula afirma que ações relacionadas à flexibilidade e saúde já eram promovidas antes da pandemia e se intensificaram neste momento. Em sua opinião, empresas que não se adequarem às novas exigências do mercado de trabalho quando ao investimento nos recursos humanos serão menos competitivas.

 

Equilíbrio mesmo em tempos de crise

Observa-se uma íntima relação entre as práticas de Gestão de Pessoas e a manutenção do equilíbrio do turnover. Esta é uma preocupação que se mantém constante mesmo em tempos de crise e tem sido alvo de medidas estratégicas nas organizações como forma de manter o equilíbrio financeiro, a credibilidade e competitividade perante o mercado. Além dos exemplos citados acima, a condução de um processo de recrutamento e seleção de qualidade, bem como ações no campo de treinamento e desenvolvimento dos colaboradores não se mostram tão inovadores, mas ainda são de suma importância na realidade atual.

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Marcela Souza

Analista Técnica MAPA

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