Estresse no home office

De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente e comentada em reportagem, no site G1, “Home office deixa profissionais mais ansiosos e estressados, revela pesquisa do LinkedIn”, há dados de que o Home Office tem sido fonte de maior ansiedade e estresse para as pessoas que estão se adequando a essa forma de trabalho devido à pandemia e o isolamento social.

As fontes do estresse excessivo foram relacionadas a desafios como falta de administração do tempo, que acaba culminando em horas extras. Dificuldade para se desligar das atividades de trabalho, acompanhada pela sensação de precisar produzir mais devido ao contexto, também são adicionados a pesquisa.

Ainda, foram relatados pelos participantes os desafios em relação a conciliar a rotina de trabalho em casa com a família e com as preocupações oriundas da situação do país que passa por forte recessão e por grande aumento de desempregos. A falta de interação com os colegas de trabalho e expectativas em relação ao retorno para os escritórios e rotinas anteriores também foram citados como causadores de sentimentos mais estressores.

Para se aprofundar um pouco mais nos desafios do home office, recomendamos o texto “Os desafios do Home-Office: Como manter a produtividade conciliando casa e trabalho?” publicado aqui no blog.

Percebemos, então, que o home office tem muitas nuances e não diz somente de executar tarefas em casa. Mas será que essa forma diferente de trabalho é por si só um fator estressante? Para responder a essa pergunta, uma breve contextualização é necessária.

Passamos mundialmente por uma crise na saúde pública, ocasionada pela pandemia do COVID-19 e devido a isso muitas consequências estão sendo vivenciadas, tanto no âmbito pessoal quanto no coletivo. O mundo do trabalho está atrelado a esses dois contextos e está também passando por adaptações para que as organizações continuem em funcionamento e alimentem o sistema econômico.

Visto isso, temos um momento atípico onde muitas mudanças têm ocorrido de forma abrupta gerando impactos em níveis diferentes em cada setor. Para as pessoas, além de um momento de adaptação, é também momento de ressignificações relacionais e emocionais. Enfrentar o afastamento social, bem como lidar com sentimentos de incerteza e medo diante do desconhecido são por si só um fator ansiógeno e estressor.

Tudo isso está sendo vivenciado em conjunto com a reformulação do ambiente de trabalho para aqueles que não frequentam mais o escritório, por exemplo, e assim, além de enfrentar suas questões individuais mediante um cenário atípico, têm que enfrentar uma conciliação de suas atividades de trabalho dentro de casa.  Ambiente este, que nem sempre está adequado a um volume maior de pessoas durante todo o dia e com espaços separados para que todos realizem suas tarefas de forma mais tranquila e organizada.

 

Podemos então considerar o home office o “culpado” pelo aumento do estresse?

A realidade é que não existe um fator isolado que causa o aumento do estresse para as pessoas de forma geral, o que temos  é um cenário hostil e atípico onde muitas dificuldades estão sendo encontradas devido ao medo e a incerteza.

Logo, precisamos pensar em formas de amenizar os impactos disso no trabalho, para que ele possa ser executado de maneira mais equilibrada, ainda que em casa em contexto de isolamento. Esta é uma preocupação que as organizações devem ter, para que esse nível de estresse não leve àsoutras manifestações de problemas com a saúde emocional de seus trabalhadores.

Aqui no blog diversas questões são levantadas sobre como a organização pode facilitar a vivência de seu colaboradores em meio a crise. Falando especificamente sobre o home office, no texto “Relacionamento interpessoal no trabalho home office” são levantadas algumas formas eficientes de melhorar esse aspecto tão importante para o sentimento de segurança das pessoas em seu meio de trabalho.

Buscar por informações que agregam e otimizam nossas estratégias de enfrentamento é umas das maneiras eficazes de passar por um momento de crise preservando o campo emocional e minimizando seus impactos.

Giulia Ladeira

Psicóloga e Analista Técnica na MAPA

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